quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A normalidade

         A normalidade é uma coisa que me fascina, fascinam-me vidas normais, com hábitos normais, rotinas banais, desprovidas de poses, posses e artefactos, assim mesmo, do mais normalzinho que possa haver. Mas principalmente nas mulheres, adoro mulheres normais, sou um fã incondicional de mulheres normais, banais, não sou apreciador de mulheres que se hiper-produzem 365 dias por ano, daquelas que uma ida ao ginásio, à praia ou ao café, envolve o mesmo nível de produção, não acho piadinha nenhuma. Falta-lhes a genuinidade, a simplicidade, a sensualidade de alguém que, para além de ser bonita ou feia, gorda ou magra, alta ou baixa, pouco tem a provar e está muito bem com o que tem e com o que é, ou invés de se preocupar com o que quer parecer ser ou ter.

         Rios de desgosto e frustração correm por mulheres que não são como a boazona da revista ou da tv, embora se esforcem todos os dias para o ser, uma vida inteira de bases e maquilhagens, acessórios, artefactos, coisas que são puxadas para cima, outras que são apertadas, aconchegadas, contidas, realçadas e escondidas em nome de uma imagem que se fabrica e se sofre a cada milímetro, de volume, de cabelo, etc… Ser mulher nestas condições ou em condições parecidas é muito difícil, é caro e não acrescenta assim tanto valor quando elas julgam, pelo menos para mim. O mal de alguém que vive em permanente produção é que perde a capacidade de surpreender, perde naturalidade, sofre uma erosão na sua própria beleza, aquela que tão esforçadamente tenta manter, ampliar, fabricar e realçar. Não confundo uma mulher que se arranja, que se cuida, com as que se hiper produzem, mas até para andar arranjada e cuidada tem de haver mais qualquer coisa na equação, um je ne ce quoi que não vem com nenhum creme, mala ou sutiã, é intrínseco, tem a ver com o saber estar, com o sorriso, o olhar, a personalidade… quando não há esta base, a produção é forçada e o resultado raramente surte o devido efeito. Existe agora uma tendência entre as estrelas de Hollywood, que passa por deixarem-se fotografar sem maquilhagem, provando que elas e eles também são pessoas normais e em muitos casos, fartos de tanta produção e de uma imagem falsa. 

Não há nada mais excitante que assistir à metamorfose de uma mulher “normal” para uma mulher produzida e/ou sensual, a tal que num casamento passa de banal a deslumbrante, a que na praia passa de banal a agradável surpresa, a vizinha a quem nunca prestámos muita atenção e que naquele dia passou e fez um clic. Soubessem as mulheres que mais importante que as medidas é importante a atitude, a personalidade e a sensualidade e poupavam-se muitos desgostos, a todos.

1 comentário:

  1. Adorei!!!! Sendo eu mulher, mtas vezes até me pergunto onde arranjam tanta paciência para tanta, como dizes, híper produção....
    Cuidados diários, obviamente, agora não ir ao pão sem um eyeliner, como tantas que conheço...porque? Será que esperam que tropecem no príncipe encantado e que só assim irá ser notada? não sei...
    Talvez eu não possa falar mto, sou daqueles que se "ipinoca" toda só em certas ocasiões e mesmo assim se tiver paciência e tempo...:D

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